Associação Mídia Lab lança vinte e oito jornalistas investigativos para o mercado jornalístico

19 de janeiro de 2026
Foto família com os jornalistas recém-graduados no âmbito do projecto REAJIR. Créditos: Evito Andrade

No âmbito do projecto REAJIR, financiado pela USAID, Mídia Lab (ML), graduou nesta sexta-feira (30), em Maputo, vinte e oito estagiários, em matérias de jornalismo investigativo com foco na gestão de recursos naturais e outras questões de governança económica. Dos 28 graduados, doze eram homens e dezasseis, mulheres. A graduação marca o fim de uma formação iniciada em Janeiro e que teve a duração de nove meses.

A Directora Adjunta Interina de Missão da USAID em Moçambique, Tedi Dell, entende que é importante se olhar nos jovens. “É satisfatório ver jovens a serem graduados nessa área. Hoje, inicia uma nova jornada nas vossas vidas, e acreditamos que irão contribuir positivamente na promoção de mudanças e no processo de tomada de decisões. Estamos abertos em apoiar iniciativas do género e temos trabalhado muito com os jovens”, explicou Tedi Dell.

Directora Adjunta Interina de Missão da USAID em Moçambique, Tedi Dell. Créditos: Ernesto Timbe

“Desde que o ML começou a capacitar futuros jornalistas, esse foi o primeiro projecto de capacitação, a ser implementado na vertente investigativa e em áreas específicas, como gestão de recursos naturais e governança económica. Em nove meses de estágio, excluindo a fase do bootcamp, os estagiários mostraram que é possível se fazer Jornalismo Investigativo em Moçambique”, frisou Rui Lamarques, Director Executivo do ML, durante a sua intervenção na cerimónia de graduação.

Rui Lamarques, Director Executivo do ML. Créditos: Ernesto Timbe

Cátia Mangue, Coordenadora de Programas do ML, destacou o impacto positivo das matérias produzidas pelos jornalistas-estagiários, às instituições do governo. “O mais interessante e importante, foi saber que o trabalho feito pelos jornalistas, abriu espaço para que as estruturas governamentais dessem seguimento dos casos despoletados por um lado, e por outro, as matérias mostraram as fragilidades existentes nas instituições públicas, resultante da falta de instrumentos de fiscalização”.

Cátia Mangue, Coordenadora de Programas do ML. Créditos: Ernesto Timbe

Já a representante dos jornalistas-estagiários, Milagrosa Calangue, referiu que os nove meses da formação não foram fáceis. “O jornalismo investigativo envolve mais recursos financeiros, tempo, coragem, mais responsabilidade e poder de persuasão. Acima de tudo uma grande oportunidade para praticar o jornalismo e promover mudanças na nossa sociedade”, testemunhou a representante.

Intervenção da Milagrosa Calangue, representante dos jornalistas-estagiários. Créditos: Evito Andrade

De referir que para o programa de estágio foram recebidas 608 candidaturas de todo o país, das quais trinta e três foram admitidas e vinte e oito estagiários terminaram a formação.

REAJIR é um projecto financiado pela USAID, e visa aumentar a responsabilização na gestão dos recursos naturais e outras questões de governação económica, melhorando as competências dos jornalistas moçambicanos na investigação e reportagem sobre estes temas.

Texto: Milagrosa Calangue. Revisão: Ernesto Timbe